sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Como cuidar da saúde durante o período de chuvas em Iranduba

Saiba como proteger a saúde durante o período de chuvas em Iranduba, com cuidados para evitar doenças transmitidas pela água, dengue, acidentes com animais peçonhentos e agravamento de sintomas.

O período de chuvas exige atenção redobrada com a saúde em Iranduba. O aumento do volume de água pode provocar alagamentos, transportar lama, lixo e esgoto, contaminar reservatórios e favorecer a proliferação do mosquito Aedes aegypti. Também crescem os riscos de acidentes, contato com animais peçonhentos e doenças respiratórias em locais fechados ou com grande circulação de pessoas.

As medidas de prevenção devem ser adotadas antes, durante e depois das chuvas. Evitar o contato com água de enchente, proteger ferimentos, consumir somente água segura, eliminar recipientes que acumulam água e procurar atendimento ao surgimento de sintomas são algumas das principais recomendações das autoridades de saúde.

Água de alagamento deve ser considerada contaminada

A água acumulada nas ruas, quintais, terrenos e dentro das casas pode conter urina de ratos, esgoto, microrganismos, produtos químicos, lixo e objetos cortantes. Por isso, não deve ser usada para beber, cozinhar, escovar os dentes, lavar alimentos ou tomar banho.

O contato com esse tipo de água pode favorecer a transmissão de leptospirose, hepatite A, doenças diarreicas agudas, infecções de pele e outras enfermidades. Mesmo quando a água parece limpa, não é possível identificar visualmente todos os agentes que podem causar doenças.

A orientação é evitar entrar em áreas alagadas sempre que houver outra alternativa. Caso o contato seja inevitável, a pessoa deve usar botas e luvas impermeáveis. Feridas, cortes e arranhões precisam ser cobertos com curativos resistentes à água. Depois da exposição, é importante lavar bem a pele com água limpa e sabão.

Quem teve contato com água de enchente deve informar essa condição ao profissional de saúde caso apresente febre, dor de cabeça, dor muscular, mal-estar, vômitos, diarreia ou outros sintomas nos dias seguintes.

Leptospirose exige atenção após contato com enchentes

A leptospirose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Leptospira, geralmente eliminada na urina de animais infectados, principalmente ratos. Em períodos de alagamento, a bactéria pode se espalhar pela água e pela lama e penetrar no corpo por meio de ferimentos ou do contato com mucosas.

Os sintomas podem incluir febre, dor de cabeça, dores no corpo, cansaço, calafrios, náuseas e vômitos. Em alguns casos, a doença pode evoluir para formas graves, com pele e olhos amarelados, alterações na urina, sangramentos e dificuldade para respirar.

O atendimento deve ser procurado imediatamente quando esses sinais aparecerem, sobretudo se a pessoa teve contato recente com água de enchente ou esgoto. O diagnóstico e o tratamento precoces reduzem o risco de complicações. A orientação do Ministério da Saúde sobre leptospirose recomenda evitar a exposição, proteger cortes e utilizar equipamentos de proteção durante a limpeza.

Como fazer a limpeza da casa com segurança

Quando a água baixar, a limpeza deve ser realizada com cuidado. Antes de entrar no imóvel, é necessário verificar se há risco de desabamento, fios elétricos caídos, tomadas molhadas, animais escondidos ou objetos cortantes.

Durante o trabalho, use botas, luvas e roupas que cubram braços e pernas. Se não houver equipamentos adequados, sacos plásticos podem ser usados de forma provisória para reduzir o contato da pele com a lama, mas devem estar bem presos e não substituem equipamentos de proteção apropriados.

Pisos, paredes, bancadas e objetos que tiveram contato com a água de enchente precisam ser lavados e desinfetados conforme as orientações sanitárias. A água sanitária deve ser utilizada somente de acordo com a concentração e a finalidade indicadas no rótulo ou pelas autoridades de saúde. Não misture produtos de limpeza, pois a combinação pode liberar gases tóxicos.

Alimentos, medicamentos, cosméticos e produtos de higiene que tenham sido atingidos pela água da enchente devem ser descartados. Embalagens abertas, amassadas, enferrujadas ou com sinais de alteração também não devem ser consumidas.

Cuidados com a água para beber e preparar alimentos

Durante ou depois de alagamentos, a água da torneira, de poços, caixas-d’água, rios e outras fontes pode sofrer contaminação. Se houver mudança de cor, cheiro ou gosto, a água não deve ser consumida até que a situação seja esclarecida pelo serviço responsável ou pela Secretaria Municipal de Saúde.

Quando não houver garantia de potabilidade, a recomendação geral é filtrar e ferver a água antes do consumo. O Ministério da Saúde também orienta o uso de hipoclorito de sódio a 2,5% em situações específicas, seguindo exatamente a quantidade indicada na embalagem ou pela autoridade sanitária. Produtos perfumados ou com outras substâncias não devem ser usados para tratar água destinada ao consumo.

Frutas, verduras e legumes precisam ser lavados com água segura e higienizados conforme as recomendações sanitárias. Alimentos crus, malpassados, com embalagem violada, cheiro alterado ou que tenham entrado em contato com água de enchente devem ser descartados.

A caixa-d’água deve permanecer tampada e ser limpa quando houver suspeita de contaminação. O procedimento exige atenção para evitar que a água imprópria seja distribuída pela tubulação da casa.

Prevenção contra dengue começa dentro de casa

As chuvas podem deixar recipientes com água parada e criar condições favoráveis para a reprodução do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus. A prevenção precisa ser contínua, inclusive nos períodos em que não há registro de muitos casos.

Baldes, garrafas, pneus, lonas, brinquedos, tampas, vasos de plantas, calhas, ralos, caixas-d’água e outros recipientes devem ser vistoriados com frequência. A água acumulada precisa ser eliminada e os objetos devem ser guardados em local protegido da chuva ou descartados corretamente.

Caixas-d’água, tonéis e outros reservatórios devem ficar bem fechados. Calhas e lajes precisam ser mantidas limpas para evitar pontos de acúmulo. Em vasos de plantas, a recomendação é retirar a água dos pratos ou preenchê-los com areia, conforme a orientação dos serviços de saúde.

O uso de telas, roupas que cubram a maior parte do corpo e repelentes pode ajudar a reduzir as picadas. No entanto, essas medidas não substituem a eliminação dos criadouros. O Ministério da Saúde informa que a remoção de recipientes com água parada é uma das principais formas de prevenção da dengue.

Sintomas que exigem avaliação médica

Febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e nas articulações, manchas vermelhas na pele, náusea e prostração podem aparecer em casos de dengue. A pessoa com esses sintomas deve procurar uma unidade de saúde para avaliação e evitar a automedicação.

Na dengue, alguns sinais de alarme podem surgir quando a febre começa a diminuir. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, dificuldade para respirar, sonolência excessiva ou sensação de desmaio exigem atendimento imediato.

Diarreia, vômitos, dor abdominal e febre também podem indicar doenças relacionadas ao consumo de água ou alimentos contaminados. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas podem se desidratar mais rapidamente e precisam de atenção especial.

Risco de animais peçonhentos aumenta depois das chuvas

Serpentes, aranhas e escorpiões podem buscar abrigo em casas, móveis, roupas, entulhos e locais secos depois de alagamentos. Por isso, é importante entrar nos cômodos com cuidado, usar uma lanterna e não colocar as mãos em buracos, caixas, pilhas de madeira ou objetos sem antes verificar o interior.

Roupas, sapatos, toalhas, lençóis e colchões devem ser examinados antes do uso. Animais encontrados não devem ser tocados, mesmo que pareçam mortos. A remoção deve ser solicitada aos serviços responsáveis do município ou ao Corpo de Bombeiros.

Em caso de picada, a vítima deve procurar atendimento médico o mais rápido possível. Não faça cortes, sucção, torniquete ou aplicação de substâncias no local. Sempre que for seguro, uma fotografia do animal pode ajudar na identificação, mas a captura não é recomendada.

Cuidados com crianças, idosos e pessoas vulneráveis

Crianças não devem brincar em áreas alagadas, poças, canais, igarapés ou locais com correnteza. Além do risco de afogamento, a água pode conter microrganismos, lixo e objetos cortantes. O mesmo cuidado vale para animais domésticos, que também podem adoecer após contato com lama ou água contaminada.

Idosos, gestantes, pessoas com deficiência e moradores com doenças crônicas podem precisar de ajuda para deixar áreas de risco, obter água potável e realizar a limpeza dos imóveis. Medicamentos de uso contínuo devem ser protegidos da umidade e descartados se tiverem sido atingidos pela água da enchente.

Também é importante observar o bem-estar emocional. Perdas materiais, deslocamentos, interrupção da rotina e medo podem provocar ansiedade, insônia e sofrimento psicológico. Em caso de sofrimento intenso ou dificuldade para realizar as atividades diárias, a orientação é buscar apoio na rede de saúde.

Quando procurar atendimento

A unidade de saúde deve ser procurada em caso de febre após contato com água de enchente, sintomas de dengue, diarreia intensa, vômitos repetidos, sinais de desidratação, ferimentos provocados por objetos contaminados, mordidas ou picadas de animais.

Durante a consulta, informe onde ocorreu a exposição, por quanto tempo houve contato com água ou lama e se houve consumo de água ou alimentos possivelmente contaminados. Essas informações ajudam a equipe a avaliar os riscos e indicar a conduta adequada.

Evitar a automedicação é fundamental. Medicamentos podem mascarar sintomas, provocar efeitos adversos ou não ser indicados para determinadas doenças. Em situações de urgência, procure o serviço de saúde mais próximo e siga as orientações da Defesa Civil, da Secretaria Municipal de Saúde e dos demais órgãos oficiais.

Com prevenção, informação e atenção aos sinais do corpo, é possível reduzir os impactos do período de chuvas sobre a saúde da população de Iranduba. O cuidado começa antes do alagamento, continua durante a exposição e permanece necessário até que a limpeza e o abastecimento de água estejam normalizados.