A preservação da memória de Manaus é o eixo do trabalho desenvolvido pelo Instituto Durango Duarte (IDD), associação sem fins lucrativos criada em 15 de abril de 2016. A instituição reúne documentos, fotografias, vídeos e pesquisas sobre a capital e o Amazonas, além de publicar livros e artigos voltados à história regional.
À frente do instituto está o empresário, publicitário, escritor e pesquisador Durango Duarte. A atuação dele na pesquisa sobre a cidade começou antes da criação do IDD e inclui obras dedicadas à paisagem urbana, à vida cultural, à imprensa e à formação econômica do Estado.
Pesquisas anteriores à criação do instituto
Em 2009, Durango publicou Manaus, entre o passado e o presente, um guia histórico e fotográfico sobre espaços urbanos da capital. O trabalho serviu de base para novas investigações sobre a cidade. Três anos depois, lançou 343 Manaus, publicação dedicada à apresentação visual e turística do município.
A observação das transformações urbanas também está presente em Praças históricas de Manaus, de 2023. O livro acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo espaços que desapareceram. A pesquisa amplia e revisa o capítulo sobre praças publicado na obra de 2009 e recupera usos e configurações que já não podem ser observados diretamente nas ruas.
Cinemas, música e os espaços de convivência
A história cultural da capital aparece em diferentes frentes do acervo. Publicado em 2017, A Sétima Arte em Manaus aborda as salas de cinema, a chegada de empresas exibidoras e a realização de festivais. O tema permite acompanhar uma dimensão da vida cultural e dos locais de encontro da cidade.
A música é tratada em obras como A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro. Os títulos fazem parte do conjunto de publicações que relaciona personagens, manifestações culturais e acontecimentos à história amazonense.
Jornais como fonte e objeto de pesquisa
Os jornais antigos ocupam posição central no trabalho do IDD. As publicações registram inaugurações, conflitos, mudanças na paisagem e episódios que marcaram diferentes gerações. Ao mesmo tempo, a imprensa também é analisada como parte da própria história política e institucional do Amazonas.
A coleção 50 Anos Hoje organiza, por ano, acontecimentos registrados nos jornais de Manaus. No volume dedicado a 1970, aparecem, entre outros episódios, a explosão da caldeira da Santa Casa, inaugurações de praças e avenidas e o centenário da Biblioteca Pública do Estado.
Outros livros se concentram em períodos de tensão na imprensa local, como Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará. Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, a pesquisa aborda as disputas ocorridas em 1958 e 1959, quando a publicação oficial do Estado foi usada como espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa.
Borracha, província e Zona Franca
O instituto também publica pesquisas sobre a formação econômica e política do Amazonas. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia percorre a história do ciclo da borracha, enquanto A Construção da Província do Amazonas, de 2025, examina o período de 1851 a 1859, após a separação do Grão-Pará.
O livro aborda a formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província. Já a implantação da Zona Franca de Manaus é tema de uma publicação digital gratuita lançada em 2023. Organizado por Durango Duarte, o trabalho teve participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva e acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.
Memória estudantil e circulação do conhecimento
Parte da produção do instituto se relaciona à experiência do próprio pesquisador. Durango Duarte participou do movimento estudantil amazonense nos anos 1980, dirigiu centros acadêmicos e foi conselheiro da Universidade Federal do Amazonas. Esse período aparece em trabalhos sobre a mobilização estudantil, incluindo uma coletânea de entrevistas com personagens que atuaram entre 1975 e 1985.
Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam. O instituto busca aproximar suas pesquisas da comunidade acadêmica e estimular teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia. Reuniões, palestras e cursos estão entre as atividades desenvolvidas ao lado da organização de fontes e do lançamento de publicações.
Segundo a entidade, a biblioteca particular reúne mais de oito mil obras, além de diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais. O conjunto não está disponível para consulta no momento. Os materiais já publicados podem ser acessados no portal do Instituto Durango Duarte.
Com a organização desse acervo, documentos sobre personagens, lugares e acontecimentos são transformados em pesquisas e publicações. A proposta do IDD é manter esses registros preservados e ampliar sua participação no debate sobre a história de Manaus e do Amazonas.
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