sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Durango Duarte

A trajetória de Durango Duarte à frente de um instituto dedicado à memória de Manaus

Sob a liderança de Durango Duarte, o Instituto Durango Duarte organiza e publica pesquisas sobre Manaus e o Amazonas, com obras dedicadas a praças, cinemas, música, imprensa, borracha, Zona Franca e formação institucional da região.
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A preservação da memória de Manaus é o eixo do trabalho desenvolvido pelo Instituto Durango Duarte (IDD), associação sem fins lucrativos criada em 15 de abril de 2016. A instituição reúne documentos, fotografias, vídeos e pesquisas sobre a capital e o Amazonas, além de publicar livros e artigos voltados à história regional.

À frente do instituto está o empresário, publicitário, escritor e pesquisador Durango Duarte. A atuação dele na pesquisa sobre a cidade começou antes da criação do IDD e inclui obras dedicadas à paisagem urbana, à vida cultural, à imprensa e à formação econômica do Estado.

Pesquisas anteriores à criação do instituto

Em 2009, Durango publicou Manaus, entre o passado e o presente, um guia histórico e fotográfico sobre espaços urbanos da capital. O trabalho serviu de base para novas investigações sobre a cidade. Três anos depois, lançou 343 Manaus, publicação dedicada à apresentação visual e turística do município.

A observação das transformações urbanas também está presente em Praças históricas de Manaus, de 2023. O livro acompanha a trajetória de 34 praças, incluindo espaços que desapareceram. A pesquisa amplia e revisa o capítulo sobre praças publicado na obra de 2009 e recupera usos e configurações que já não podem ser observados diretamente nas ruas.

Cinemas, música e os espaços de convivência

A história cultural da capital aparece em diferentes frentes do acervo. Publicado em 2017, A Sétima Arte em Manaus aborda as salas de cinema, a chegada de empresas exibidoras e a realização de festivais. O tema permite acompanhar uma dimensão da vida cultural e dos locais de encontro da cidade.

A música é tratada em obras como A vida musical em Manaus (1950 a 1960) e Olga Praguer Coelho: a voz e o violão do folclore brasileiro. Os títulos fazem parte do conjunto de publicações que relaciona personagens, manifestações culturais e acontecimentos à história amazonense.

Jornais como fonte e objeto de pesquisa

Os jornais antigos ocupam posição central no trabalho do IDD. As publicações registram inaugurações, conflitos, mudanças na paisagem e episódios que marcaram diferentes gerações. Ao mesmo tempo, a imprensa também é analisada como parte da própria história política e institucional do Amazonas.

A coleção 50 Anos Hoje organiza, por ano, acontecimentos registrados nos jornais de Manaus. No volume dedicado a 1970, aparecem, entre outros episódios, a explosão da caldeira da Santa Casa, inaugurações de praças e avenidas e o centenário da Biblioteca Pública do Estado.

Outros livros se concentram em períodos de tensão na imprensa local, como Imprensa Amazonense: Chantagem, Politicagem e Lama e Imprensa Amazonense: Caso Batará. Em Quando o Diário Oficial virou guerra, de 2026, a pesquisa aborda as disputas ocorridas em 1958 e 1959, quando a publicação oficial do Estado foi usada como espaço de confronto entre governo, oposição e imprensa.

Borracha, província e Zona Franca

O instituto também publica pesquisas sobre a formação econômica e política do Amazonas. RUBBER — Apogeu e Declínio da Borracha na Amazônia percorre a história do ciclo da borracha, enquanto A Construção da Província do Amazonas, de 2025, examina o período de 1851 a 1859, após a separação do Grão-Pará.

O livro aborda a formação das bases institucionais, econômicas e sociais da província. Já a implantação da Zona Franca de Manaus é tema de uma publicação digital gratuita lançada em 2023. Organizado por Durango Duarte, o trabalho teve participação da historiadora Marlucia Bentes e do jornalista Kleber Paiva e acompanha as primeiras discussões sobre o modelo, a construção do Distrito Industrial e a instalação das primeiras indústrias.

Memória estudantil e circulação do conhecimento

Parte da produção do instituto se relaciona à experiência do próprio pesquisador. Durango Duarte participou do movimento estudantil amazonense nos anos 1980, dirigiu centros acadêmicos e foi conselheiro da Universidade Federal do Amazonas. Esse período aparece em trabalhos sobre a mobilização estudantil, incluindo uma coletânea de entrevistas com personagens que atuaram entre 1975 e 1985.

Em 2021, Durango também foi professor voluntário do curso de Arquivologia da Ufam. O instituto busca aproximar suas pesquisas da comunidade acadêmica e estimular teses, dissertações e monografias sobre Manaus, o Amazonas e a Amazônia. Reuniões, palestras e cursos estão entre as atividades desenvolvidas ao lado da organização de fontes e do lançamento de publicações.

Segundo a entidade, a biblioteca particular reúne mais de oito mil obras, além de diários oficiais, jornais e revistas digitalizados, cartografias e produções audiovisuais. O conjunto não está disponível para consulta no momento. Os materiais já publicados podem ser acessados no portal do Instituto Durango Duarte.

Com a organização desse acervo, documentos sobre personagens, lugares e acontecimentos são transformados em pesquisas e publicações. A proposta do IDD é manter esses registros preservados e ampliar sua participação no debate sobre a história de Manaus e do Amazonas.

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