sexta-feira, 23 de outubro de 2026
TECNOLOGIA

Estudo aponta mudança no perfil profissional exigido pelo mercado até 2030

Levantamento baseado na expectativa de empregadores ao redor do mundo indica que inteligência artificial, análise de dados, criatividade, liderança e aprendizado contínuo devem ganhar espaço até 2030, enquanto tarefas básicas e atividades repetitivas deixam de ser diferenciais.
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O perfil profissional exigido pelo mercado de trabalho deve passar por mudanças importantes até 2030, impulsionadas pelo avanço da tecnologia, por transformações sociais e por novas demandas do setor produtivo. Um estudo do Fórum Econômico Mundial, apresentado no relatório Core Skills in 2030, organiza as principais tendências em quatro grupos: Habilidades Emergentes, Habilidades Essenciais para 2030, Habilidades Estáveis e Habilidades Fora de Foco.

O levantamento foi elaborado com base na expectativa de empregadores ao redor do mundo. A proposta é indicar quais competências devem ganhar importância na economia digital e quais, embora continuem necessárias em determinadas atividades, tendem a deixar de funcionar como diferenciais competitivos.

Entre as habilidades apontadas como centrais estão o domínio de inteligência artificial e big data, o pensamento analítico, a criatividade, a capacidade de adaptação, a liderança e a alfabetização tecnológica. O estudo também destaca competências associadas ao comportamento profissional, como resiliência, motivação e autoconsciência.

Competências tecnológicas passam a fazer parte de diferentes áreas

A inteligência artificial e o big data aparecem entre as habilidades que devem crescer em importância nos próximos anos. A digitalização dos processos e o avanço da automação ampliam o uso de ferramentas capazes de analisar informações e apoiar decisões.

Segundo o material, profissionais que compreendem e utilizam essas tecnologias tendem a encontrar uma vantagem competitiva no mercado. A expectativa é que o uso de dados e de sistemas de inteligência artificial deixe de ficar restrito a equipes especializadas e passe a integrar rotinas de diferentes setores.

Essa mudança também aumenta a importância da alfabetização tecnológica. O conceito envolve compreender o funcionamento de diferentes tecnologias, mesmo quando o profissional não atua diretamente na área de tecnologia da informação.

Ferramentas digitais, softwares de automação e sistemas de análise de dados devem fazer parte das atividades cotidianas de áreas distintas. Por isso, a familiaridade com esses recursos é apresentada como uma exigência básica para o profissional projetado para 2030.

Pensamento analítico e criatividade aparecem lado a lado

O estudo coloca o pensamento analítico e a criatividade entre as habilidades essenciais para o futuro do trabalho. A primeira está relacionada à capacidade de interpretar dados, resolver problemas complexos e avaliar situações. A segunda aparece como um recurso para desenvolver soluções novas e promover mudanças em produtos, serviços e processos.

A combinação das duas competências é apresentada como relevante em um ambiente no qual parte das tarefas passa a ser executada por sistemas automatizados. Nesse cenário, a análise ajuda a compreender problemas e informações, enquanto a criatividade contribui para formular alternativas.

O relatório também associa o avanço dessas habilidades às necessidades de inovação das empresas. A expectativa é que profissionais capazes de interpretar cenários e propor soluções tenham papel importante na adaptação das organizações às transformações do mercado.

Adaptação e inteligência emocional ganham espaço

Resiliência, flexibilidade e agilidade formam outro conjunto de competências destacado no levantamento. As mudanças constantes no mercado de trabalho devem exigir profissionais capazes de lidar com desafios, responder a novas demandas e ajustar sua atuação diante de diferentes circunstâncias.

O material relaciona essa capacidade de adaptação ao chamado mindset ágil, apresentado como um dos pilares das organizações. A ideia é que o profissional esteja preparado para rever procedimentos e aprender diante de mudanças, em vez de depender apenas de métodos estáveis e previsíveis.

Também aparecem entre as habilidades essenciais a motivação e a autoconsciência. O relatório relaciona essas competências à inteligência emocional e à capacidade de administrar as próprias emoções, manter o direcionamento das atividades e sustentar o desempenho profissional.

A inteligência emocional é apresentada como parte do conjunto de características que pode influenciar a produtividade e a atuação no ambiente de trabalho. O tema não é tratado como substituto das competências técnicas, mas como uma habilidade que passa a conviver com elas no perfil esperado para 2030.

Liderança precisa acompanhar equipes mais diversas

Liderança e influência social também estão entre as habilidades apontadas como essenciais. O estudo considera que as empresas precisarão de profissionais capazes de motivar e orientar equipes em ambientes mais diversificados e distribuídos.

A expansão de estruturas remotas e multiculturais aumenta a importância da capacidade de conduzir pessoas em contextos diferentes. Nesse cenário, liderar não se limita à organização das tarefas: envolve também comunicação, coordenação e influência sobre os grupos.

A competência é relacionada à necessidade de formar equipes preparadas para lidar com mudanças e trabalhar em diferentes configurações. O relatório, porém, não apresenta uma profissão específica como responsável por esse tipo de liderança.

Cibersegurança e sustentabilidade estão entre as habilidades emergentes

Além das habilidades consideradas essenciais, o relatório reúne competências que estão ganhando importância e podem se tornar diferenciais para os profissionais. Entre elas estão cibersegurança e redes, gestão ambiental e sustentabilidade, design e experiência do usuário, curiosidade e aprendizado contínuo.

A cibersegurança aparece associada à expansão da digitalização dos negócios. À medida que mais processos dependem de sistemas e redes, a segurança da informação se torna uma preocupação para empresas e instituições. O estudo indica que a demanda por especialistas nessa área deve continuar crescendo.

A gestão ambiental e a sustentabilidade também ganham espaço. O material relaciona esse movimento ao aumento do foco das empresas em práticas sustentáveis e à necessidade de incorporar a gestão ambiental a diferentes atividades econômicas.

Outra habilidade emergente é o design voltado à experiência do usuário. O relatório afirma que a forma como o consumidor interage com produtos e serviços no ambiente digital se tornou um fator de diferenciação para marcas e empresas. Por isso, o design centrado no usuário aparece como uma área com tendência de valorização.

A curiosidade e o aprendizado contínuo completam esse grupo. Em um cenário de transformação constante, a disposição para aprender é apresentada como uma forma de acompanhar novas ferramentas, processos e demandas profissionais.

O que tende a perder força como diferencial

O estudo também aponta habilidades que podem perder relevância relativa no mercado de trabalho do futuro. Isso não significa que deixem de ser necessárias em todas as situações, mas que tendem a deixar de funcionar como os principais diferenciais para o desenvolvimento profissional.

Leitura, escrita e matemática básica aparecem nesse grupo. O material reconhece que essas competências continuam fundamentais, mas afirma que ferramentas automatizadas devem assumir parte significativa das tarefas relacionadas a elas.

A destreza manual e a precisão também são citadas entre as habilidades que podem perder espaço. A automação de atividades motoras e físicas detalhadas, especialmente na manufatura e na indústria, é apontada como um dos fatores associados a essa mudança.

A atenção aos detalhes e a precisão aparecem ainda como competências que, embora permaneçam relevantes em determinadas áreas, já têm parte de suas tarefas assumida por sistemas automatizados e soluções de inteligência artificial.

O movimento descrito no relatório indica uma alteração no tipo de contribuição mais valorizada pelas empresas. Atividades repetitivas ou dependentes de execução padronizada tendem a ser mais afetadas pela automação, enquanto competências associadas à análise, à inovação, à adaptação e à coordenação de pessoas ganham destaque.

Como profissionais e empresas podem se preparar

A leitura apresentada pelo Fórum Econômico Mundial aponta que a preparação para 2030 dependerá de uma combinação de competências técnicas e comportamentais. O domínio de ferramentas digitais deve conviver com pensamento analítico, criatividade, liderança, resiliência e inteligência emocional.

Para os profissionais, o desenvolvimento dessas habilidades envolve manter uma postura de aprendizado contínuo e acompanhar a evolução das tecnologias utilizadas em suas áreas. A alfabetização digital aparece como uma base para diferentes funções, enquanto conhecimentos em inteligência artificial, big data, cibersegurança e experiência do usuário podem se tornar diferenciais em determinados contextos.

Para as empresas, o material destaca a importância de investir na capacitação das equipes. A formação dos trabalhadores é apresentada como um caminho para preparar as organizações para as mudanças da economia digital e para criar condições de adaptação diante de novas exigências.

O relatório não descreve o futuro do trabalho apenas como uma substituição de pessoas por máquinas. A transformação apresentada envolve a redistribuição do valor das habilidades: tarefas que podem ser automatizadas tendem a perder peso relativo, enquanto capacidades humanas ligadas à interpretação, à criação, à liderança e à adaptação ganham espaço.

O cenário projetado para 2030, portanto, reúne tecnologia e competências humanas no mesmo perfil profissional. Saber utilizar dados e ferramentas digitais será parte da preparação, mas a capacidade de aprender, analisar problemas, criar soluções e trabalhar com outras pessoas também estará entre os elementos destacados para acompanhar as mudanças do mercado.

Sobre o autor

Tiago Paiva é publicitário. Estudou Liderança da Inovação no MIT, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Direção de Projetos Complexos em Cambridge. Também possui formação em treinamento de liderança cristã, consultoria em inovação e mercado digital de publicidade.

Ele esteve à frente da Gerência de Projetos Estratégicos no Ministério da Educação e foi membro do Conselho da RNP. Liderou o planejamento de projetos complexos como o Ronda no Bairro e a Modernização do Transporte Público em Manaus.

Como diretor-presidente da Processamento de Dados do Amazonas, gerenciou um orçamento de R$ 350 milhões, com transparência e prestação de contas. Também coordenou inovações técnicas e administrativas.

Na função de coordenador-geral de Modernização da Suframa, atuou no desenvolvimento econômico por meio da gestão de incentivos fiscais no Polo Industrial de Manaus. Também liderou projetos estaduais no governo do Amazonas, com atuação relacionada ao desenvolvimento sustentável.

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