sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Política

Medidas para encerrar bets distribuem tarefas entre plataformas, bancos e governo

Duas medidas provisórias anunciadas pela Presidência da República tratam do fim das apostas por quota fixa e do endividamento das famílias. Um projeto de lei separado prevê penas para operadores irregulares, influenciadores e uso indevido de dados pessoais.
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O encerramento das apostas por quota fixa no Brasil deverá ocorrer em etapas diferentes para usuários, empresas de apostas, bancos e órgãos do governo. As regras foram anunciadas pela Presidência da República na noite de sexta-feira (25), em São Paulo, por meio de duas medidas provisórias (MPs).

Uma das MPs proíbe as chamadas bets e estabelece procedimentos para a retirada e a devolução do dinheiro mantido nas plataformas. A outra cria medidas destinadas a reduzir o endividamento das famílias e integra o programa batizado de Desenrola Brasil 3.0.

No mesmo evento, o Poder Executivo anunciou ainda um projeto de lei para tipificar crimes relacionados aos jogos de azar on-line. As medidas provisórias entram em vigor a partir da publicação no Diário Oficial da União.

Usuários terão prazo para retirar valores

Com a entrada em vigor da MP sobre as apostas, novas apostas on-line deixarão de ser permitidas no país. Os valores já depositados nas plataformas deverão ser devolvidos aos apostadores, conforme o cronograma estabelecido no texto.

O primeiro prazo é destinado ao saque voluntário. Até 5 de outubro, os usuários poderão retirar diretamente o dinheiro dos aportes feitos nos sites de apostas.

No dia 6 de outubro, os sites deverão ser bloqueados no país. O acesso será redirecionado para informações sobre o procedimento de devolução dos valores.

Empresas e bancos terão funções específicas

Depois do bloqueio, as empresas de apostas deverão informar aos bancos os saldos existentes nas contas dos apostadores. Essa comunicação está prevista para os dias 7 e 8 de outubro.

Entre 9 e 14 de outubro, os bancos deverão realizar a devolução dos valores aos apostadores que tiverem contas bancárias. A partir de 14 de outubro, a Caixa Econômica Federal poderá intermediar o processo quando houver algum impedimento para a devolução.

A MP também proíbe a contratação de nova publicidade de apostas a partir de sua vigência. Os contratos já firmados poderão ser veiculados até 5 de outubro. Na mesma data, deverão ser retirados os sinais visíveis de patrocínio.

Força-tarefa deverá investigar bets ilegais

O governo informou que reforçará a remoção de sites ilegais e as investigações sobre movimentações financeiras relacionadas às apostas. Entre as ações previstas está a criação de uma força-tarefa com a participação de diferentes órgãos públicos.

A estratégia também inclui a integração das forças envolvidas, o compartilhamento de informações estratégicas e o reforço da estrutura do Ministério da Justiça e da Polícia Federal.

O governo indicou o canal Fala.BR para o recebimento de denúncias sobre bets e jogos on-line.

Projeto prevê punições para exploração irregular

O projeto de lei anunciado pelo Executivo prevê pena de quatro a seis anos de prisão, além de multa, para quem operar ou explorar bets de forma irregular.

Influenciadores que obtiverem ganhos com a divulgação de apostas ilegais também poderão ser responsabilizados. Para esses casos, a proposta estabelece pena de até quatro anos de prisão.

O texto ainda pretende transformar em crime o uso de dados pessoais para captar apostadores ou direcionar publicidade de bets. Quem fornecer, negociar, comercializar ou utilizar cadastros e listas de dados com essa finalidade poderá receber pena de dois a quatro anos de prisão, além de multa.

Medidas também tratam de saúde e dívidas

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) relacionados ao jogo patológico cresceram cerca de 140% entre 2018 e 2025.

Já o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o público-alvo da MP sobre endividamento são famílias com dívidas em atraso há pelo menos dois anos e até quatro anos e meio.

A estimativa apresentada pelo governo é que os débitos desse grupo somem R$ 300 bilhões. A meta anunciada é reduzir esse valor pela metade.